Em minha adolescência sempre fui muito mais tímido. Hoje em dia consigo desenvolver conversas onde antigamente era impossível. Mas mesmo assim a melhora foi pequena, apesar de a cada dia progredir mais.
Pois bem. Me lembro que quando eu estava com meus 17 anos, e estava no meu terceiro ano do segundo grau (hoje ensino médio), "conheci" uma menina no colégio (ficava olhando ela ao longe), e ela parecia retribuir aos olhares. Por dentro eu ficava me questionando:"como faço? Será?". Isso foi questão de duas semanas de dúvida. Mas, enfim, eu não tinha coragem de quebrar o gelo, não teria chances. Até que no final de semana eu decidi: "vou dar um "oi". O máximo que pode acontecer é ela não responder..."
Aguardei ansiosamente o final de semana, mas não me lembro o que fiz nele - entre meus 15 e 21 anos minha vida social era intensa. Não parava muito em casa. Sempre tinha algo pra fazer, mas a cada dois meses um final de semana ficava em casa assistindo filmes no sábado e domingo, e jogando games. Era viciado nestes.
Eis que chega segunda-feira, e eu esperando pra ver ela no recreio só para dar um "oi". Mas até lá eram três períodos. Até lá a aula se desenrolaria, conversas aconteceriam, e não adiantava muito focar nesse "futuro". Conversando com meu amigo, que chegou uns 5 minutos depois da aula começar, ele me diz: "fui em tal local na sexta. Conheci uma mina aqui do colégio. Ficamos e tals. O nome dela é "x" (não direi os nomes aqui, só se um dia lançar minha biografia). E eu estava tri feliz, por ele. Costumávamos sair bastante juntos, dormir um na casa do outro, ir em festas da família um do outro. Como irmãos, só que não de sangue.
Ele me contou sobre ela, e falou que queria que eu desse "oi" pra ela. Pelo menos pra uma guria nova eu ia dar "oi" aquela noite. Talvez isso me ajudasse na hora de dar um "oi" pra minha. Vai que elas fossem amigas, dai iria quebrar o gelo, não é.
Eis que o recreio começa. Eu falo pra esse amigo: "vou no bar comer, depois subo aqui, e dai vejo ela. Ok?". Ele disse que tudo bem. Uns dez minutos se passam, e eu subo em direção a sala, faltava uns dois minutos para acabar a aula. Ao subir eu vejo a "minha menina", e meu coração gelou, e eu tinha que ver a que o meu amigo falou, ainda. O nosso "oi" teria que esperar, eu não ia desapontar ele e não ir comprimentar a possível namorada dele. Só que ao subir as escadas e "o cenário" se abrir mais vejo ele. Estava ele e ela conversando. Minha cara ficou no chão de sem jeito. Era a mesma pessoa. De qualquer jeito acabei mesmo dando o "oi".
Muitas coisas aconteceram durante um período ao qual eu não sei mencionar. Inclusive um ao de um dos caras mais popular, claramente querer ficar com ela. Mas acabamos ficando amigos, eu e ela. Ela era uma guria simpática. Eis que então o cara popular começa a ficar explícito em suas investidas. E eu como amigo, fiz minha parte. Ela me falou que a amiga dela queria que ela ficasse com ele, mas ela não queria. Ainda tinha uma tensão no ar para comigo, e eu não poderia fazer nada, nem falar, nem fazer, nem insinuar, mas sempre conversávamos.
Em um dia, meu amigo chega cabisbaixo no colégio. Eu pergunto o que foi. Ele explica que não estava mais com ela.
Para alguns isso significaria caminho livre, certo?
Eu sabia que era por minha causa. Não estou me achando. Era realidade. Mas ao ver um amigo sofrendo e segurando a "dor", eu falei pra ele:"relaxa que eu falo com ela". Ele parecia ter se animado.
No intervalo eu procurei ela. Ela estava com a amiga dela. E dai eu falei:"posso falar contigo no final da aula la na quadra? Uns minutos antes da hora de ir embora?"
Os olhos dela mudaram. Não escondeu o sorriso junto da amiga. Ali meu coração apertou.
No final da aula, saí em direção à quadra. Ao chegar ela estva transbordando felicidade. Eu olhei pra ela e perguntei se estava tudo bem. Ela sorrindo respondeu que sim. Comecei a falar do meu amigo e a falar sobre ele. O semblante foi mudando, quase ao desanimo. Intercedi para que ela repensasse sobre eles dois.
Um tempo depois o cara poular ficou com ela. Meu amigo já não estava com ela. Um tempo passou e ela foi mudando comigo, nao sei se por decepção, ou outro motivo. Mas não traí a confiança do meu amigo.
Hoje eu me pergunto se fiz o certo, pois já passaram-se bastante tempo, e os contatos acabam ficando cada vez menor.
Mas ao ir fundo em minha consciência sei que fiz o certo, pois sei que apesar da distância, e do tempo sem se falar, se eu aparecer amanhã na casa dele, seria como se tivéssemos conversado pela última vez ontem.
Uma amizade sincera nunca acaba. Amores são incógnitas. Talvez eu tivesse ficado com ela, talvez namorássemos, talvez não. Quem poderá saber. Mas se os olhares que trocávamos antes de ela ter ficado com meu amigo fossem reais e realmente genuínos, ela não teria ficado com alguém do colégio por tanto tempo, ainda mais alguém próximo. Foi isso talvez, que tenha feito eu fazer tudo que eu fiz.
E você seria homem, ou deixaria seu amigo mal?
Na próxima contarei uma história similar, mas com personagens e situações diferentes.