quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rosas

As Rosas um dia foram brancas, assim como a pureza da infância.
Dos corações partidos nasceu a ilusão, e a lágrima as fez amarelas.
Do sangue que aprendemos a derramar, elas ficaram vermelhas.
A escuridão da pureza perdida transformou-as em negras.

Cada Rosa que nasce representa algo, assim como nós. Aprendemos com o tempo que a negra tem sua importância assim como a branca para seu equilíbrio. Aprendemos que o sangue tem que ser derramado para que possamos conseguir algo. Sonhos não se concretizarão em função de outros.

A vida é um curso de “equilíbrio eterno”, pelo menos é assim que são as coisas. O dia e a noite, o amor e o ódio... Mas será que o equilíbrio é realmente necessário ou simplesmente uma fuga para explicar as insanidades da nossa existência?

La Muerte

Ela chega sorrateira, e ele nem se dá conta. De repente tudo parece igual. Mal sabia ele que já estava nele. Começou pela sua família. Aos poucos seus amigos. Quando ele não percebeu começava por sua imagem, por seu interior, por seu caráter, e finalmente sobre sua personalidade. Já não era mais o mesmo. Tudo a sua volta estava morto. Sem vida. Não tinha mais sentido nada. Tudo o que lhe satisfazia era o “vazio” por trás de mascaras ocultas. As pessoas estavam “sem gosto”, “sem sal”.
Ao perceber que ela estava com ele, rapidamente, tentou afastá-la. Foi uma guerra “epopeica”, ao qual anos se passaram. Sem se dar conta, e pensando que venceu, ele se viu derrotado. As lágrimas caíram de seu coração amargurado pela perda do seu Eu. Ao sentir que nada mais fazia importância, ao invés de lutar e tentar um último suspiro, ele se entregou para ela. “La Muerte” acabou com ele lentamente, e esse foi o jogo dela. Ela queria brincar com ele, mas ele não sabia quem era ela, e ao perceber quem era, derramou uma última lágrima de seus olhos, e se entregou de vez. “La Muerte”, era a sua própria vida!

Caçadores

Então ele se aproxima dela. Parece que já estava a fitando há séculos, e sem ela saber. A "caça" já não tinha mais desejo próprio, pois ele havia conquistado-a com seu olhar. Ao aproximar-se da donzela, que já estava a sua mercê, ele estende a mão e a convida para uma dança.
O salão, sem espelhos, parecia uma ceia para o "caçador". Enquanto dançava, a moça parecia que não tinha mais controle sobre seus movimentos. Ele finalmente havia conseguido o que queria.
Ao seu último olhar para a donzela, ele a pega em seus braços, e lhe dá um suave "beijo", no meio do salão, sem que ninguém perceba.
A "caça" se entrega ao "caçador", e se torna uma a mais. Ela se torna a noite, assim como seu "novo amor". Agora sem sentimentos ela se torna uma caçadora voraz. Apenas "um beijo" e já me torno além de seu doce demônio, sua doce noite eterna, de desejos incessantes.
Não nascemos para o amor, e sim para o desejo, mas o desejo de sangue daqueles que correm contra seus instintos e negam suas necessidades carnais. Somos noturnos e vivemos solitários. Nosso "abraço" ou nosso "beijo" podem determinar seu futuro no reino dos anjos subservientes ou dos anjos caídos.
Finalmente o reino dos rebeldes cresce, o primogênito do primogênito determinou a nova raça, e seguimos a noite procurando o que nos satisfaça. É o nosso desejo, é a nossa sina.
Se em alguma noite o meu “beijo” você encontrar, saiba que será de minha decisão se ascenderá ou se cairá às trevas. Mas com certeza eu digo meu irmão: O “pai” a vós também renegou.