quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Caçadores

Então ele se aproxima dela. Parece que já estava a fitando há séculos, e sem ela saber. A "caça" já não tinha mais desejo próprio, pois ele havia conquistado-a com seu olhar. Ao aproximar-se da donzela, que já estava a sua mercê, ele estende a mão e a convida para uma dança.
O salão, sem espelhos, parecia uma ceia para o "caçador". Enquanto dançava, a moça parecia que não tinha mais controle sobre seus movimentos. Ele finalmente havia conseguido o que queria.
Ao seu último olhar para a donzela, ele a pega em seus braços, e lhe dá um suave "beijo", no meio do salão, sem que ninguém perceba.
A "caça" se entrega ao "caçador", e se torna uma a mais. Ela se torna a noite, assim como seu "novo amor". Agora sem sentimentos ela se torna uma caçadora voraz. Apenas "um beijo" e já me torno além de seu doce demônio, sua doce noite eterna, de desejos incessantes.
Não nascemos para o amor, e sim para o desejo, mas o desejo de sangue daqueles que correm contra seus instintos e negam suas necessidades carnais. Somos noturnos e vivemos solitários. Nosso "abraço" ou nosso "beijo" podem determinar seu futuro no reino dos anjos subservientes ou dos anjos caídos.
Finalmente o reino dos rebeldes cresce, o primogênito do primogênito determinou a nova raça, e seguimos a noite procurando o que nos satisfaça. É o nosso desejo, é a nossa sina.
Se em alguma noite o meu “beijo” você encontrar, saiba que será de minha decisão se ascenderá ou se cairá às trevas. Mas com certeza eu digo meu irmão: O “pai” a vós também renegou.

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